top of page

Variação

Foto do escritor: Bruno Lara
Bruno Lara
13 de abr.
1 min de leitura

O passado me assedia.

O que faltou me faz ser solidário

a quem eu fui um dia.

Mas, quando eu era

não me faltava

porque eu entendia

que a regra é a imperfeição.

Nós somos desabrigados,

aceite você ou não.

Não existe passado superado.

No jogo do tempo,

é o passado quem vence,

invariavelmente.

Por isso, uma criança tanto precisa de amor,

de braços, colo e acolhimento.

O primeiro sentimento

será também o último.

A inocência da criança

é a do velho vivido,

experiente o suficiente

para se desarmar.

A arma é uma arma contra o amar.

O presente

e mesmo o futuro

são passado.

O amanhã é só uma variação

do que já foi,

invariavelmente.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Medida

Quão belo é o "imperfeito"! O perfeito até seria, mas não o é, porque o perfeito não existe. É só um modo de controle e ansiedade. O rascunho já é a própria vida. A vida é ao vivo mesmo. Não há teste

 
 
 
Útil

Saber-se pequeno não é modéstia, mas necessária rendição. Achar-se grande: simplória autoilusão. Fantasia inútil é buscar a própria dimensão. Não se conhecer: inevitável. Confortável é saber que o sab

 
 
 
Amor para

Passam-se as horas, os dias e os anos. O tempo, não. Quando a gente ama, não há tempo para o amor. Há o amor para com o tempo. O amor para o tempo.

 
 
 

Comentários


bottom of page