- Bruno Lara
- há 6 dias
O passado me assedia.
O que faltou me faz ser solidário
a quem eu fui um dia.
Mas, quando eu era
não me faltava
porque eu entendia
que a regra é a imperfeição.
Nós somos desabrigados,
aceite você ou não.
Não existe passado superado.
No jogo do tempo,
é o passado quem vence,
invariavelmente.
Por isso, uma criança tanto precisa de amor,
de braços, colo e acolhimento.
O primeiro sentimento
será também o último.
A inocência da criança
é a do velho vivido,
experiente o suficiente
para se desarmar.
A arma é uma arma contra o amar.
O presente
e mesmo o futuro
são passado.
O amanhã é só uma variação
do que já foi,
invariavelmente.
