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Dom às 9
Poesia nova todo domingo de manhã
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Estrada
Abatido, caminha o menino. Sobre barro firme, entre baixos arbustos, caminha ele descalço, os pés fendidos. Movido a esperança, passo a passo caminha o batido menino numa estrada a ser desenhada pela aventura do destino.
Bruno Lara
25 de jan.
Espelho
Espelho, espelho teu, o que és tu que refletes quem não sou? Mentes, mas mentes tão mal! Espelho, espelho teu, espelho desleal, por que trazes a mim um eu que não reconheço? De mim, eu sei que só vou. O reflexo que me trazes eu não sou.
Bruno Lara
21 de jan.
Máscara
Cara e máscara se amalgamam. Um dia já disputaram protagonismo, mas hoje se apensam, como uma só coisa. Sem máscara, não me reconheço mais. Sem máscara, sou menos ou quase. Talvez por isso a vesti, por não suportar o quase. Com máscara, porém, também não sou. Teria eu me confundido quando optei por estar vestido? Não há como ser, a não ser despido.
Bruno Lara
11 de jan.
Metade
Por um reles respiro, hoje esqueci da gente. O alívio foi no torpor do sono. Em algum momento do dia você precisava se ausentar da minha mente; deixar de sugar a minha energia. No clarear, cá estava você novamente ao meu peito rente, ante os meus olhos, como uma lente através da qual tudo enxergo. As noites não são de descanso, de negligência, tão pouco. São de desamparo e saudade da minha inquieta outra metade que não me completa.
Bruno Lara
6 de jan.
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