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Dom às 9
Poesia nova todo domingo de manhã
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Nada
Hoje eu nada fiz. Fiquei no ócio porque quis. E se algo tivesse feito, não contabilizaria, tão pouco publicidade eu daria. Não há maior rebeldia do que tirar o tempo do dia. Nada é tão meu quanto o meu nada, que não passa de nada de mais. Em nada interessa a ti o meu nada, e não me apetece que saibas o que e como eu não fiz. Ao fim do dia, eu cheguei convicto, do jeitinho que parti no espaço sem tempo: invicto, numa preguiça sem culpa numa renúncia sem desculpa. Hoje eu nada
Bruno Lara
22 de fev.
Fumaça
Há um rumor bem-humorado de que seríamos enamorados, e que eu pertenceria a vós. Bem sei eu que estou em mim, mas que transbordo em nós. Bem sabemos nós que onde há fumaça há fogo; onde há afeto, não há jogo e que esse rumor incendeia a nossa verdade: amor.
Bruno Lara
17 de fev.
Durma
Dorme que passa. Dorme que sara. Durma por uma noite, por algumas horas ou uns minutos. Se não conseguir, pisque. Feche os olhos para fingir que não existe. Mas, acorde. Acorde com preguiça, acorde triste, mas acorde. Ore e depois chore. Chore em algum momento do dia. Sem lágrimas, tudo não passa de sono e anestesia. E depois, cicatrizado, sorria e volte a dormir.
Bruno Lara
8 de fev.
Surdina
Amo-te clandestinamente. Amo-te envergonhado e constrangido, na surdina, como amante e amigo. Amo um amor discreto, um quieto amor inquieto. Amo-te como quem não tem esse direito. Ouso amar-te enquanto a escuridão perdurar, pois na clareza qualquer coração se atreve a amar. Amo-te atônito um amor platônico.
Bruno Lara
2 de fev.
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