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Dom às 9
Poesia nova todo domingo de manhã
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Mãos dadas
Vamos! Dê-me a sua mão para que tenha segurança. Confie que não anda sozinha. Dê-me a sua ressecada mão para que juntos caminhemos como um romântico casal ridículo e satisfeito. Também tenho mãos feridas. Curadas, mas feridas. Aprendi que mão lisa desliza. Mão calejada mais firme é abraçada. Mãos apertadas aquecem o peito. Peito aquecido dá à alma leveza. Vida leve, vida simples, procura saudável, sem desespero. Vamos! Atenda o meu apelo! Dê-me a sua mão.
Bruno Lara
23 de mar.
Bobo
O portão da escola era o mesmo. Os bancos da igreja, o mesmo. Nada mudara, nada a esmo: a rua, a padaria, o mercado, a quitanda. No armazém, o mesmo cheiro de quando a gente pagava em dinheiro. Tudo era como sempre foi, como sempre será. Aqui dentro, eu não era o mesmo; era como nunca fui, como sequer imaginei. Parte de mim me culpava por não ser permanente, por estar deslocado, me sentindo doente, ter traído aquele cenário. Mas, trairia a mim mesmo se lá ficasse, se fizesse
Bruno Lara
16 de mar.
Chão
Desbrave o mundo, conquiste terras, domine ideias e pessoas, seja rei ou rainha, atropele, mas não deixe de andar descalço, de pisar no chão, de sujar os pés. É o contato com a terra que nos faz evitar querer o mundo desbravar, as terras conquistar, as pessoas dominar. Ao querer ser Deus, podemos não ser um dos seus.
Bruno Lara
8 de mar.
Singelo
Um poema me achou. Um poema belo, simples e singelo; um poema refinado, despojado, de tom moderado, com requinte discreto, um luxo pouco solene, mas de abundante afeto. Achei um poema sutil, íntimo e dócil, protagonista na entrega, mas coadjuvante no formato; um poema de beleza tamanha como um sussurro que, com aplausos, se acanha.
Bruno Lara
4 de mar.
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