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Bobo

  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 16 de mar.
  • 1 min de leitura

O portão da escola era o mesmo.

Os bancos da igreja, o mesmo.

Nada mudara, nada a esmo:

a rua, a padaria, o mercado,

a quitanda.

No armazém, o mesmo cheiro

de quando a gente pagava em dinheiro.

Tudo era como sempre foi,

como sempre será.

Aqui dentro, eu não era o mesmo;

era como nunca fui,

como sequer imaginei.

Parte de mim me culpava

por não ser permanente,

por estar deslocado,

me sentindo doente,

ter traído aquele cenário.

Mas, trairia a mim mesmo

se lá ficasse,

se fizesse o café do mesmo jeito,

no mesmo horário acordasse,

se levantasse do mesmo lado da cama.

Mudei sem calcular, sem querer,

sem perceber,

com o medo bobo de permanecer.

 
 
 

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