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Escultura

  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 1 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura

A poesia existe.

Eu a sinto no concreto da calçada,

no orvalho do esverdeado campo vazio,

num meloso beijo apaixonado que desperta arrepio.

Existe na ardência do calor de um magma incendiário,

nas carinhosas palavras de um elogio.

A poesia existe.

Insiste em estar na boca mal educada do iletrado.

Existe poesia no que é dito,

no que é falado, escrito.

E mesmo só na intenção.

Existe poesia na ponta da língua,

na palma da mão.

A poesia abraça o sentimento,

a ideologia e até a razão, também.

A poesia já é, desde antes do Big Bang.

Antes do pensar

já há poesia.

A poesia é o marco inicial,

é o início de um vício

da mistura entre vida e literatura.

O resultado é a matéria primordial

que faz de tudo uma escultura

à altura da poesia.

 
 
 

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