top of page

Corte

  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 14 de jul. de 2024
  • 1 min de leitura

O seu poder partir crava em mim

uma angustiante insegurança,

medo de que eu não aguente

o palpitar de um tolo coração,

ainda inocente, crente

de que possa existir o amor perfeito

moldado pra gente.

 

Mas o seu real partir,

ainda que me dobre num sofrer

como um profundo corte na carne sensível,

me dá a confiança de que a dor latejante

não precisa matar,

talvez queira apenas torturar.


Posso sobreviver ao martírio,

ser mais forte com a sua ausência

suspender esse infortúnio delírio

com um novo sentido para a minha existência.


Mas, já aprendi que há vida na morte.

O poder partir

nada mais é do que um poder reexistir,

o que não me faz necessariamente mais forte,

mas, sim, levemente mais leve.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Exercício

Dou conselhos mentalmente. Por vaidade, provavelmente. As minhas experiências são só minhas. Servem para inúteis contações de histórias e dar sentido aos meus erros. Erros são íntimos e pessoais, como

 
 
 
Pequenez

Não há que se lutar contra ou tentar apreender o infinito. O sussurro é intimidade. O grito, desespero. A pequenez é um saber discreto de valia infinita. Ser pequeno é um aconchego interno, é a humild

 
 
 
Vivos

Acordei hoje cantarolando, cantarolando uma cantiga com a qual, suponho, sonhei. Senti-me como entre pés de laranjeiras, como entre folhas verdes ao léu, ouvindo sons de harpa em louvores ao céu. Acor

 
 
 

Comentários


bottom of page