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Volta

  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 9 de nov. de 2025
  • 1 min de leitura

O nada é frio,

um lugar quieto e vazio

à espera,

mas satisfeito.

O tudo é quente e desordenado.

O nada é pacato e amistoso.

O tudo é ansioso e ingrato,

descontente.

Quanto mais tem, mais ambiciona.

O nada não tem mania.

A mania do tudo é a de grandeza.

Do nada surgiu a vida

e o que não é vida na própria vida.

O tudo deve ao nada.

O nada em nada deve ao tudo.

O nada não anseia,

mas uma coisa tem: a paz.

O tudo, tudo o que não tem

é exatamente a bendita paz.

Um dia, o tudo volta a nada,

e o nada será o tudo.




 
 
 

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