top of page

Volta

Foto do escritor: Bruno Lara
Bruno Lara
9 de nov. de 2025
1 min de leitura

O nada é frio,

um lugar quieto e vazio

à espera,

mas satisfeito.

O tudo é quente e desordenado.

O nada é pacato e amistoso.

O tudo é ansioso e ingrato,

descontente.

Quanto mais tem, mais ambiciona.

O nada não tem mania.

A mania do tudo é a de grandeza.

Do nada surgiu a vida

e o que não é vida na própria vida.

O tudo deve ao nada.

O nada em nada deve ao tudo.

O nada não anseia,

mas uma coisa tem: a paz.

O tudo, tudo o que não tem

é exatamente a bendita paz.

Um dia, o tudo volta a nada,

e o nada será o tudo.




 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Medida

Quão belo é o "imperfeito"! O perfeito até seria, mas não o é, porque o perfeito não existe. É só um modo de controle e ansiedade. O rascunho já é a própria vida. A vida é ao vivo mesmo. Não há teste

 
 
 
Útil

Saber-se pequeno não é modéstia, mas necessária rendição. Achar-se grande: simplória autoilusão. Fantasia inútil é buscar a própria dimensão. Não se conhecer: inevitável. Confortável é saber que o sab

 
 
 
Amor para

Passam-se as horas, os dias e os anos. O tempo, não. Quando a gente ama, não há tempo para o amor. Há o amor para com o tempo. O amor para o tempo.

 
 
 

Comentários


bottom of page