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pilha de livros

Dom às 9

Poesia nova todo domingo de manhã

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  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 16 de mar.

O portão da escola era o mesmo.

Os bancos da igreja, o mesmo.

Nada mudara, nada a esmo:

a rua, a padaria, o mercado,

a quitanda.

No armazém, o mesmo cheiro

de quando a gente pagava em dinheiro.

Tudo era como sempre foi,

como sempre será.

Aqui dentro, eu não era o mesmo;

era como nunca fui,

como sequer imaginei.

Parte de mim me culpava

por não ser permanente,

por estar deslocado,

me sentindo doente,

ter traído aquele cenário.

Mas, trairia a mim mesmo

se lá ficasse,

se fizesse o café do mesmo jeito,

no mesmo horário acordasse,

se levantasse do mesmo lado da cama.

Mudei sem calcular, sem querer,

sem perceber,

com o medo bobo de permanecer.

 
 
 
  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 8 de mar.

Atualizado: 9 de mar.

Desbrave o mundo,

conquiste terras,

domine ideias e pessoas,

seja rei ou rainha,

atropele,

mas não deixe de andar descalço,

de pisar no chão,

de sujar os pés.

É o contato com a terra

que nos faz evitar

querer o mundo desbravar,

as terras conquistar,

as pessoas dominar.

Ao querer ser Deus,

podemos não ser um dos seus.

 
 
 
  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 4 de mar.

Um poema me achou.

Um poema belo,

simples e singelo;

um poema refinado,

despojado,

de tom moderado,

com requinte discreto,

um luxo pouco solene,

mas de abundante afeto.


Achei um poema sutil,

íntimo e dócil,

protagonista na entrega,

mas coadjuvante no formato;

um poema de beleza tamanha

como um sussurro

que, com aplausos,

se acanha.

 
 
 
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