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pilha de livros

Dom às 9

Poesia nova todo domingo de manhã

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  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 16 de dez. de 2025

Eu me lanço sobre mim mesmo.

Exausto, em contínua transformação,

não me alcanço.

Estou em movimento disperso,

correndo em círculos

com medo

em frente ao espelho,

ávido por um sereno conselho,

esparso como vidro partido

que fere,

não para cortar,

mas para reintegrar.



 
 
 
  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 7 de dez. de 2025

Ah, se eu não pudesse...

De certo, eu preferia não poder

para a consciência das consequências não ter;

para que a angústia das escolhas fosse do Universo,

tão somente.

Se eu pudesse só viver,

sem poder.

É a liberdade que me prende.

É a razão que me oprime e ofende.

Ah, se eu não pudesse...

 
 
 
  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 1 de dez. de 2025

A poesia existe.

Eu a sinto no concreto da calçada,

no orvalho do esverdeado campo vazio,

num meloso beijo apaixonado que desperta arrepio.

Existe na ardência do calor de um magma incendiário,

nas carinhosas palavras de um elogio.

A poesia existe.

Insiste em estar na boca mal educada do iletrado.

Existe poesia no que é dito,

no que é falado, escrito.

E mesmo só na intenção.

Existe poesia na ponta da língua,

na palma da mão.

A poesia abraça o sentimento,

a ideologia e até a razão, também.

A poesia já é, desde antes do Big Bang.

Antes do pensar

já há poesia.

A poesia é o marco inicial,

é o início de um vício

da mistura entre vida e literatura.

O resultado é a matéria primordial

que faz de tudo uma escultura

à altura da poesia.

 
 
 
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