top of page
pilha de livros

Dom às 9

Poesia nova todo domingo de manhã

Buscar
  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 23 de nov. de 2025

Me consola saber

que rirei do que já chamei de erros;

que, no fim, toda energia será em vão;

que o sentido de hoje

amanhã perde o sentido

e o tempo, sem piedade, devora

o valor do agora,

sem a mínima compaixão.

Me consola saber

que só me resta

o que me resta.

E se não restar,

não há motivo para me preocupar.

Farei questão de ovacionar os meus erros,

os meus sentidos e a minha energia.

Tudo isso foi o meu remédio

contra a monotonia.

E o que me restou

foi exatamente o tédio.

 
 
 
  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 16 de nov. de 2025

As palavras não saem de mim,

sou eu quem saio das palavras.

Eu não as pronuncio.

Sou só um som,

um anúncio vibrante das amantes letras

que me usam,

por ora, abusam,

indiferentes ao que sinto,

se é que o sentimento me é próprio.

Quando estou desorientado,

são elas, as palavras,

que estão sem sentido,

descombinadas,

inaptas em me expressar.

As palavras que te cortam,

ceifam primeiro a mim.

E as que te bendizem

me regeneram também.

Sou só um alguém

vítima do texto e do contexto

que só quer viver bem.

Sem as palavras,

eu sou um ilustre ninguém.

 
 
 
  • Foto do escritor: Bruno Lara
    Bruno Lara
  • 9 de nov. de 2025

O nada é frio,

um lugar quieto e vazio

à espera,

mas satisfeito.

O tudo é quente e desordenado.

O nada é pacato e amistoso.

O tudo é ansioso e ingrato,

descontente.

Quanto mais tem, mais ambiciona.

O nada não tem mania.

A mania do tudo é a de grandeza.

Do nada surgiu a vida

e o que não é vida na própria vida.

O tudo deve ao nada.

O nada em nada deve ao tudo.

O nada não anseia,

mas uma coisa tem: a paz.

O tudo, tudo o que não tem

é exatamente a bendita paz.

Um dia, o tudo volta a nada,

e o nada será o tudo.




 
 
 
bottom of page